A Maria, depois do quarto filho, reclama com Manoel: - Manoel, eu não quero mais ter filhos! - Por quê? - Eu não quero chineses aqui em casa! - Chineses? - É, você nunca ouviu dizer que de cada cinco crianças que nascem no mundo, uma é chinesa?!
Sempre gostei de início de ano, comprar o material escolar das meninas, encapar os cadernos e livros, colocar etiquetas e imaginar quantas coisas elas iriam aprender naquele ano. Sou do tipo maternal, daquelas que gostam de apertar, beijar, acarinhar, brincar de bonecas e ensinar um pouco do que sabe.
Acho que se não tivesse sido mãe, estaria capenga de tristeza.
Todos os dias pela manhã, enquanto as crianças se arrumavam para ir à escola, preparava suas lancheiras colocando guloseimas , sanduiches, pedaços de bolo , todinhos e suquinhos. Certa vez o suco era de limão e como o pai delas estava ( sempre) de regime não adicionei o açúcar na hora que fiz. Preparei o café da manhã , embalei os sanduiches, conversamos enquanto comíamos e finalmente levei-as para a escola. Ana Paula já estudava no Mackenzie nesta época e Ana Carolina estava num jardim de infância chamado "Mundo colorido", uma com 10 anos e outra com 4 anos. Deixei-as nas respectivas escolas e fui para casa cuidar da vida. Enquanto preparava o almoço ouvia música e pensava em como era bom ter uma família, duas filhas tão lindas e ... de repente lembrei que não havia adoçado a limonada. Imediatamente comecei a gargalhar imaginando a cara delas ao tomarem a limonada. Chorei de tanto rir e cheguei a visualizar a cena delas cuspindo o suco. Fui pegá-las na saída da escola e já em casa, quando sentamos para almoçar perguntei às duas: - Como foi hoje a escola, a merenda estava boa? Ana Paula reclamou : - Que droga de limonada ruim era aquela? - Deixei tudo na garrafinha! Ana Carolina falou: - Estava uma delícia, comi tudo e bebi toda a limonada!
Ana Carolina sempre foi gulosa e nem percebeu a falta do açúcar. Sorte minha que só levei uma bronca!
A história se passa nos anos 80 , sala de aula da escola americana do colégio Mackenzie. Minha filha Ana Carolina resolveu fazer um teste de honestidade com um amiguinho da classe. Pega de sua mochila uma nota de UM REAL , amassa e joga perto da carteira do menino e imediatamente pergunta ao mesmo se o dinheiro é dele. Rapidamente o coleguinha diz que sim , pega a cédula amassada e coloca no bolso. Ela chega em casa e conta o episódio , meio decepcionada, mas aliviada por ter descoberto que o menino além de mentiroso é desonesto , portanto não é digno de sua admiração.
Pois é! No mundo em que vivemos, o normal é ser desonesto e mentiroso, quando encontramos uma pessoa honesta ficamos surpresos. A honestidade deveria ser uma coisa preciosa para nós, mas vamos combinar, com os políticos que temos, que acham normal roubar , que desviam dinheiro para suas contas pessoais no exterior e que dizem que estão se lixando para a opinião do povão, o que podemos esperar de nossas crianças? Quando lembro desse episódio ainda tenho esperança de que nem tudo está perdido.